segunda-feira, 11 de março de 2013

PENITENCIÁRIA DO ESTADO, 1974

           Quando os via passar, sempre estavam em atividades diferentes daquelas desenvolvidas pelos demais funcionários, geralmente em situações anormais ao cotidiano da Penitenciária do Estado (PE). Internamente sentia uma ponta de curiosidade e me perguntava: quem seriam aqueles servidores que percorriam todas as dependências da penitenciária?



           Somente depois de algum tempo, vim tomar conhecimento de que esses homens integravam o Serviço de Vigilância Especial (SVE), pelotão de elite da penitenciária.
 Os guardas eram previamente escolhidos pela direção e faziam parte de seleto grupo que ficava de prontidão, só atuando em revistas, condução de presos em regime de castigo e seguro, confusões entre os presos, tentativas de fugas e ainda na escolta de autoridades em visita.

           Após cinco meses de trabalho na PE, fui chamado ao quarto andar do 2° pavilhão onde ficava alojado o grupo de elite. Nesta ocasião conheci o Sr. Silvio Montini chefe do pelotão, um ícone dentro do sistema penitenciário. Ele que me convidou para fazer parte da equipe, pois, segundo ele, havia analisado meu desempenho no dia a dia.

           Não pestanejei, via coroada minha vontade, tanto assim que comecei no plantão seguinte, Turma B. O grupo era exatamente aquilo que imaginava; confesso: o entusiasmo era enorme! O SVE era composto regularmente por 12 a 15 homens que faziam jus à fama e respeito que despertavam. Parceiros inesquecíveis com os quais muito aprendi e aos quais muito devo, pois além da experiência que possuíam, eram leais como irmãos.

           Nesse período, a PE funcionava como uma unidade de segurança máxima, muitas vezes nos envolvemos em situações de risco, mas a união e lealdade faziam a diferença.

           A Penitenciária do Estado alojava os presos mais perigosos da época: Chico Picadinho, Luz Vermelha e os maiores matadores: Carlão Guri, Pedrinho Matador, Brandolise, Zorro. O respeito que a população carcerária tinha pelo SVE ficava demonstrado quando, em situações de entrevero ou desavenças das mais diversas entre os presos, em poucos minutos estavam os componentes presentes contendo os ânimos e mantendo a tranquilidade.

           Fiquei por quase seis anos no SVE e quantas boas lembranças. Quando o chefe Sebastião Augusto se aposentou, assumi a encarregadura do plantão B até minha ida, em 1980 para a Casa de Detenção a convite de Luizão que era o Chefe Penal na PE.

           Quando falo do sistema penitenciário, a imagem de meus companheiros do SVE vem à mente: Sofia que era meu companheiro inseparável em todo o tempo que lá permaneci e também, Carlão que está na ativa, Eduardo, Thaud, Amauri, Lázaro, Mendonça, Marcão e Rubens, todos já aposentados. Cito ainda os companheiros já falecidos: Mamede, Godói, Arnaldo, Bezerra, Barbosa e Guará, aos quais rendo minhas singelas homenagens; foram alicerces que me impulsionaram a seguir sempre no caminho traçado.

           Mesmo afastado nunca deixei de acompanhar e torcer pelo pessoal, até a transformação da penitenciária; de masculina para feminina quando o grupo foi dissolvido.

           E também rendo as minhas homenagens aos companheiros dos SVE de outras unidades penitenciárias: Wenceslau, Avaré e Araraquara que com as mesmas qualidades garantiram a segurança e disciplina das unidades.


Por Gilherme Silveira Rodigues