sexta-feira, 14 de junho de 2013

ÀS MARGENS DO CARANDIRU


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         Quinze longos anos foi o tempo em que residi no Parque Agrícola da Penitenciária do Estado de São Paulo com minha família.
         Não só eu, também outros diretores moravam ali com seus familiares. No local vimos nossos filhos passarem praticamente sua adolescência, num lugar cercado de árvores e jardins, isto sem falar do imenso pomar com suas laranjeiras e cuja entrada era uma alameda cercada por grandes pés de peras, que em épocas próprias cobriam-se de frutos.



         Nesse ambiente nossos filhos cresceram, curtiram a natureza, ali proliferavam pássaros, répteis e batráquios de varias espécies. Vivíamos num condomínio no centro de São Paulo, onde a única entrada e saída era o portão da subportaria da Penitenciária do Estado.

         Este imenso parque ficava na área externa da Penitenciária, lá trabalhavam à época, 40 a 50 presos escoltados por guardas que cuidavam deste cartão de visitas da Penitenciária do Estado.

         O Parque Agrícola ficava encravado entre a Penitenciária do Estado, a Casa de Detenção, a Penitenciária Feminina e o C.O.C. (antigo Centro de Observação Criminológica), hoje Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário e a Av. General Ataliba Leonel.

         Falar do parque e não referir-se à Casa de Pedra é omitir detalhes de uma importante edificação. Ela era uma construção sólida que parecia um imponente casarão, situando-se no centro do pomar do parque agrícola. Naquele casarão os presos se trocavam para o trabalho e faziam suas refeições.

         Também no Parque Agrícola havia um campo de futebol onde colegas da Penitenciária e de outras unidades disputavam partidas valendo troféus e, onde também nossas crianças se divertiam nos finais de tarde; tudo era alegre e saudável.

         Quem hoje vê o rio Carandiru que corta o atual Parque da Juventude, atravessa os distritos de Santana e Tucuruvi, recebendo afluentes dos bairros de Carandiru, Jardim São Paulo, Parada Inglesa e Vila Guilherme, para depois desaguar no Rio Tietê, não imagina que ele era um marco divisor entre a Penitenciária do Estado e a Casa de Detenção.

         Do lado direito ficava a Casa de Detenção com sua complexidade e as residências dos funcionários da Penitenciária do Estado; havia umas oito ou nove casas junto às muralhas. Do lado esquerdo existia o Parque Agrícola pertencente à Penitenciária do Estado.

         Vimos com pesar governos anteriores destruírem o Parque Agrícola e tudo o que havia nele, para ali construir a "Nova Casa de Detenção". Apesar disso, depois da construção bem avançada, a obra foi embargada e o projeto foi por água abaixo.

         Atualmente no local existem muralhas que nem chegaram a ser utilizadas e que cercariam a nova Detenção. Agora servem apenas para pessoas em visitação.

         Hoje a área às margens do Carandiru forma o atual Parque da Juventude. Ao passear na região, rememoro antigos locais e edificações que não existem mais...


Só lembranças.

Guilherme Silveira Rodrigues