segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O LAZARETO



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           Durante o império de D. Pedro II surgiu à necessidade de que um Lazareto fosse construído, uma espécie de hospital de quarentena adequado ao tratamento
de viajantes e imigrantes do cólera-morbo, malária e outras doenças.   


         Uma comissão foi constituída para escolher o lugar apropriado para a construção do lazareto e, após sugestões, foi escolhida a Ilha Grande, na Bahia de Angra dos Reis, Rio de Janeiro, pois apresentava as condições necessárias de isolamento e habitação.

           A autorização de sua construção deu-se em 06 de julho de 1884.

           Em 19 de novembro de 1884, a Coroa adquiriu de Alfredo Guimarães a Fazenda do Holandês e, naquele mesmo ano, iniciaram-se as obras cujo responsável foi o engenheiro Francisco de Paula Freitas e seu ajudante, Henrique Álvares da Fonseca.

           A obra foi finalizada em 1886 e tiveram cuidado para dividir os alojamentos conforme as classes dos navios (1ª, 2ª e 3ª classes), não permitindo que se misturassem.

           Para isso, aproveitaram parte da construção da fazenda para os alojamentos. Os pavilhões de 1ª e 2ª classes foram construídos a uma distância de 500m da orla marítima, enquanto os de 3ª classe encontravam-se à beira-mar. O Lazareto funcionou de 1886 a 1913.

           No que diz respeito ao Lazareto, o controle e a disciplina rígida, além do isolamento necessário para a contenção das doenças infecciosas, contribuíram para a sua transformação em prisão.
O Lazareto foi destinado à prisão militar preventiva em dois momentos: entre 1925 e 1927 e de 1930 até 1945, durante o governo de Getúlio Vargas.

           Tendo em vista as características arquitetônicas de vigilância, o exército ficou responsável pela guarda dos prisioneiros, sendo utilizado o prédio destinado à 3ª classe, cujas medidas eram de 55m em cada lateral, possuindo diferentes salas e salões e com área interna subdividida em dois pátios cercados por muros.

           Os integrantes da Revolta Constitucionalista, presos em 1932, foram enviados para a unidade. Com o ingresso desses novos presos, o efetivo carcerário atingiu aproximadamente 2 mil presos.
Desse período, temos o testemunho de Orígenes Lessa (1932), que ficou preso lá por três meses e relatou sua experiência na obra Ilha Grande. No ano de 1942 foi transferida para lá a Colônia Penal Cândido Mendes, que existiu até 1962 quando, por ordem do governador Carlos Lacerda, o prédio do antigo Lazareto foi implodido. Hoje existem apenas vestígios do prédio antigo.



José Paulo de Morais Souza (45) professor, graduado em letras Português/Latim, especialista em Literatura brasileira, Mestre em Memória Social e Doutorando em Memória Social Diretor do Centro de Estudos e Pesquisas da Escola de Gestão Penitenciária do Rio de Janeiro e responsável pelo Museu Penitenciário do Rio de Janeiro.