quinta-feira, 6 de março de 2014

TATUAGEM

         A exposição permanente do Museu Penitenciário Paulista (MPP) está sendo montada.

         Na área interna do MPP será possível observar a “cultura das prisões”, ou seja, uma maneira de agir, operar ou executar atividades seguindo procedimentos comuns. Na área externa será contada a evolução do sistema Penitenciário e a história de seus estabelecimentos penais.



         Na área interna existem quatro ambientes intitulados:

Além de identificar a gangue que o 

criminoso pertence, tatuagens no rosto são 
feitas também para representar a
personalidade.
1. O CORPO
2. A PALAVRA
3. OS PRODUTOS DA RESSOCIALIZAÇÃO
4. OBJETOS DE CONTRAVENÇÃO

         Logo após o foyer (vestíbulo) de entrada, poderá ser vista a parte da exposição intitulada “O Corpo”, onde será possível entrar em contato com as marcas corporais do aprisionamento, em especial no mundo das tatuagens carcerárias.

         A partir de coleções, como a de “negativos em vidro” – que corresponde à pesquisa do psiquiatra Dr. Moraes Mello, realizada na Seção de Medicina e Criminologia Penitenciária do Estado de São Paulo, na década de 1920 –, o visitante entra em contato com as tatuagens de presos, exemplo materializado da “cultura prisional”.

         Os estudos sobre tatuagens em presídios iniciam-se com as pesquisas de Cesare Lombroso, no final do século XIX.

         Ele considerava a tatuagem como um aspecto precoce da anatomia do delinquente, refletindo sua “inferioridade social” e o seu tipo criminal, ou sua obscenidade.

         Em presídios do mundo inteiro, os próprios detentos se tatuam para se diferenciar do resto da sociedade. Suas tatuagens contam histórias, simbolizam a comunicação e mantêm distâncias entre os presos, mostrando quem são, os crimes que praticaram e o que se deve sentir por eles, seja medo, desprezo ou dó. Diferente da tatuagem feita por quem deseja adornar o corpo, com um desenho ou frase na intenção de deixá-lo mais bonito, a tatuagem carcerária é feita estritamente para marcar sem intenção de embelezar.

         Os desenhos utilizados são feitos para serem interpretados por aqueles que vivem no universo da criminalidade. A tatuagem carcerária pode ser feita para comemorar façanhas criminosas praticadas, punição por algum crime não aceito (como exemplo o estupro), para identificar a hierarquia na prisão – quem é chefe e quem é subordinado – e também para separar g a n g u e s, definindo a entrada ou saída do
participante de algum grupo especifico, outras ainda são feitas definindo a personalidade do presidiário, o seu grau de periculosidade e os crimes pelos quais está preso.

Por falta de recursos, as tatuagens feitas em presídio são improvisadas, utilizando materiais impróprios como clipes, grampos, pregos, tinta de caneta, nanquim, plástico derretido e até mesmo cinzas de cigarro misturadas à saliva, por isso a cor é sempre monocromática.

Alguns símbolos já foram desvendados, porém o significado da tatuagem pode variar de lugar para lugar
e de gangue para gangue. Temos algumas tatuagens com seus possíveis e mais comuns significados: