segunda-feira, 19 de maio de 2014

FUTEBOL E O SISTEMA PENITENCIÁRIO

     Tanto entre os funcionários como entre os presos, o futebol é de longe a prática esportiva mais apreciada dentro do sistema penitenciário de São Paulo.

     Times e campeonatos nascem diariamente em todo sistema. E são muitas histórias de jogos memoráveis.
No informativo “O Penitenciarista” n° 11 o servidor aposentado Elísio Lobo, nos presenteou com a narração do Troféu da Amizade, ocorrido em 1965.

     Na Penitenciária do Estado (PE) na década de 1980, com a máxima: “O esporte, além de educar, alivia a mente conturbada”, foram registrados quase 350 jogadores, organizados na chamada Federação de Futebol da Penitenciaria do Estado (F.F.P.E.).

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     O principal responsável por esta organização era o servidor Wallace Macrini, presidente da F.F.P.E., tendo como suplentes outros dois funcionários encarregados do setor de esporte: Raulino Souza Cruz e Ernesto Palante Júnior, que contavam também com apoio do médico do São Paulo Futebol Clube, Dr. Marco Aurélio Cunha, na doação de troféus e uniformes.

     Os árbitros eram escalados pela própria Federação Paulista de Futebol, mas raramente algum jogador chegava a tomar cartão verm
elho. As notícias sobre esporte tinham difusão por meio do “Resenha do Esporte”. (Nome do programa sobre o futebol levado ao ar, por intermédio do serviço de alto-falantes do presídio, todas as segundas e sextas-feiras).

     Ocorriam ainda jogos com times de fora do estabelecimento penal; em 1985/1986 a seleção da PE enfrentou os juvenis do São Paulo e da Portuguesa de Desportos, além de times conhecidos da várzea como os Milionários, o Torino, o Tabajara, o Rubro Negro e o Democratas.

     Um jogo memorável para o sistema penitenciário ocorreu em 1991, na Casa de Detenção Profº. Flamínio Favero. Naquele ano, Neto, camisa10 do Corinthians, acabara de ser campeão brasileiro e no final da temporada se reuniu com os amigos do time Milionários que misturava ex-jogadores, como o lateral Zé Maria e o atacante Cesar Maluco e Mauro.

     Neto e o restante do elenco trataram a partida com a seriedade de uma final de campeonato. Os detentos mais ainda.
Neto na Casa de Detenção
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     O interesse pelo jogo foi tanto que mal havia espaço para bater lateral, até as janelas das celas que davam para o campo também estavam lotadas de gente.

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     A seleção do Carandiru não deu espaço para os profissionais e marcou em cima os craques. Após o apito do juiz, o clima de confraternização voltou, os jogadores dos times se reuniram para bater um papo, mas Neto começou a passar mal. Os Milionários então tiveram que apressar a saída do presídio e o artilheiro da partida foi levado a um hospital próximo para ser medicado.

     Em 2014, com a realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil, as interferências do futebol no sistema penitenciário ganharam uma relevância ainda maior.

     Primeiramente porque a Copa do Mundo movimenta toda a economia. O gigantismo dos números mostra a força do futebol fora do campo, movimentando indústria, comércio, turismo, construção civil, telecomunicações e serviços. Até o início do evento surgirão milhares vagas de trabalho, atingindo inclusive o sistema penitenciário.

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          Junto às empresas vencedoras para execução das obras das Arenas por todo o Brasil foi assinado um termo de cooperação técnica entre o Conselho Nacional de Justiça e os Comitês Organizadores Locais, o qual previa que 5% dos postos de trabalho seriam dedicados a detentos, egressos, cumpridores de penas alternativas e adolescentes em conflito com a lei.


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