terça-feira, 11 de novembro de 2014

As exigências psicológicas do trabalho no Sistema Prisional

  (Segunda Parte)

  O cárcere é um recorte da sociedade que pode manifestar algumas distorções de natureza violenta e desestabilizadora de acordo com traços de personalidade das pessoas que com ele se relacionam.
  A realidade de uma unidade prisional traz consigo uma série de particularidades relativas à conduta moral, postura ética, ordem ambiental, etc., que se mostram muito diferentes daquilo que a grande maioria dos que ali estão, costumam experimentar em seu cotidiano.

  Fazendo uma grosseira comparação, podemos imaginar que cada um dos grupos que convivem neste ambiente, vivem em constante alerta, quanto ao outro grupo, tal qual o animal que vive na natureza constantemente ameaçada por seus predadores.
 A relação que se estabelece com base em uma natureza punitiva, impede que os grupos acessem nesse ambiente suas capacidades mais afetivas, mais humanas, estabelecendo assim, um clima bastante tenso e ameaçador.
  Sabemos que cada personalidade irá reagir de modo diferente e particular frente a esta configuração, alguns desenvolverão com base em boas estruturas éticas e morais, familiares consistentes, um ambiente de possível desenvolvimento e superação; já outros, serão violentamente feridos pelo mesmo ambiente que revela tanta hostilidade e insegurança, tornando-se inseguros ou violentos em excesso.
  Processos patológicos como o que chamamos de Prisionização, Síndrome de Burnout, uso abusivo de substâncias indesejáveis, (remédios, bebidas alcoólicas, tabaco e outras drogas), são possibilidades que devem constantemente ser observadas na vida tanto de servidores quanto de pessoas privadas de liberdade. Afecções de comportamento, tais como exacerbação de condutas autoritárias e violentas, fragilização frente as seduções corruptivas, certa confusão entre o certo e o errado e uma flexibilização excessiva dos valores éticos podem acometer a outros.
  Enfim existe uma gama de possibilidades que evidencia o quanto este ambiente pode ser exigente, não só do ponto de vista físico como também do mental, não só ao sujeito encarcerado, mas também ao trabalhador a ele submetido.
  Embora exista uma reciprocidade de influências em todo e qualquer exercício profissional e a estrutura emocional de quem o exerce, neste caso deve-se considerar o quanto particular e exigente pode ser o cotidiano no Sistema Prisional.
  Predisposições positivas e negativas, condições de trabalho, saúde geral e emocional são alguns dos itens que devem ser constantemente observados para qualidade da vida laboral de nossos servidores.