segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O QUE MUDA OU DEVE SER MUDADO SENDO UM AGENTE DE SEGURANÇA PENITENCIÁRIA?

Há treze anos sou Agente de Segurança Penitenciária e durante esses longos anos, percebi que a
minha vida sofreu uma radical mudança, mutação essa certamente condicionada, principalmente, pelo cargo público por mim exercido.
Quando falo de mudança de vida, na verdade, quero me referir especificamente à mudança comportamental de hábitos.

O Agente de Segurança Penitenciária, assim que adentra o presídio, passa a observar e conviver com novas regras, não somente aquelas preconizadas pela legislação e estatutos penitenciários, mas também derivadas da subcultura do cárcere.
Inevitavelmente, as modalizações deônticas existentes no ambiente carcerário, não só atingem os presos, como também todos aqueles que participam e fazem parte do processo de execução penal.
São regras de proibição, de permissão e ou de obrigação não escritas, mas consuetudinárias, que querendo ou não, atingem e podem até mesmo condicionar o comportamento, também, do servidor penitenciário.
Para os filósofos, o simples passar do tempo, por si só, é capaz de mudar as pessoas, pois o processo de socialização é dinâmico e não estático, exigindo novos e adequados hábitos comportamentais.
No entanto, como Agente de Segurança Penitenciária, devemos nos atentar, com bastante cuidado, que das regras não formais que tutelam a execução penal, porém, intrínsecas ao ambiente carcerário, não podem em suas plenitudes, sem nenhuma limitação, condicionar os nossos hábitos, os nossos comportamentos.
A aceitação total, sem nenhuma reserva, dessas regras específicas do cárcere, também denominada de processo de assimilação da “sub”cultura carcerária, podem desencadear também no servidor penitenciário, o chamado efeito da prisionização.
Assim, enalteço que é natural ao Agente de Segurança Penitenciária mudar seus hábitos e comportamentos com o exercício dessa tão abnegada função pública.