quarta-feira, 27 de maio de 2015

COLUNA MEMÓRIA ORAL

Com 

Lúcia Maria Casali de Oliveira

  
O sistema Penitenciário de São Paulo na década de 1950, não tinha o preso da violência, tinha o preso da habilidade: o batedor de carteira, o furtador, entende?   O único crime de violência era o homicídio. Depois, nos anos de 1960, a coisa veio degringolando; atualmente os jovens são muito influenciados pela droga, chegam a ser inconsequentes e a porcentagem de roubo é impressionante.  Mas tem o outro lado também, temos um presídio aqui no Estado que tem a maioria de presos jovens de 18 a 24 anos. Lá a Fundação “Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel” (Funap), tem contrato com uma empresa e todos os presos desse presídio fazem cursos e quando saem têm emprego garantido na empresa.

Assim conseguimos direcionar o jovem egresso, tanto que ali a gente não tem problema de delinquência, a criminalidade é bem reduzida. Se por um lado eu tenho assim, uma sensação muito boa a respeito dos resultados que alcançamos com esse projeto e outros como a Daspre, onde quase não existe reincidência, também tenho consciência do tanto que a gente ainda tem para fazer.
Temos que provocar reflexão né? Por que é um processo lento, demorado.
Por isso quando as faculdades me convidam para ministrar uma palestra, aceito como se fosse uma missão, porque é o momento adequado de você provocar a discussão na cabeça do jovem que faz faculdade, aí você cria polêmica. Então para os jovens que estão chegando já vêm com outra cabeça e é aí que você vai conseguir fazer uma grande mudança.
Então, eu acho importante esse papel da gente com mais experiência, com mais vivência, saber dividir com os mais jovens!

Lúcia Maria Casali de Oliveira – Trecho retirado do depoimento realizado em 2011, para equipe do Museu Penitenciário Paulista.